Sobre Lyba Serra

Era inicio dos anos 60, mas precisamente, 1962 quando nasceu Lyba Serra numa São Paulo que passava, assim como outras grandes metrópoles, por transformações culturais muito expressivas que modificariam para sempre o pensar e o agir de uma geração. Envolto por este clima, Lyba passou sua infância sem perceber exatamente que a sua sensibilidade absorvia tudo que estava acontecendo ao seu redor.

Já aos 11 anos de idade, entendeu a magia do escrever e, nesse momento, surge a necessidade de colocar no papel o que ela achava ser um livro, um romance. Esta escrita se perdeu um pouco com o tempo para dar lugar a algo que vem lhe acompanhando por toda a vida: o violão! Aos 14 anos dedilhava canções conhecidas e percebeu que aquela escrita mágica dos 11 anos não seria um romance, mas sim, letras de música. Exatamente nessa época, Lyba entendeu a beleza de transformar seus sentimentos ocultos em poesia, em canção...

Entre as indecisões e conflitos do futuro a seguir na vida de um adolescente, começou a brotar uma certeza – seu futuro estava na arte! Aos 17 anos já tinha certo o que queria e começou a percorrer o seu caminho. Aos 21 anos foi convidado para fazer parte do grupo de professores do Conservatório Souza Lima, primeiro dando aulas de violão para logo em seguida se dedicar as classes de canto.

Outra vez, a sua sensibilidade faz com que ele se destaque personalizando métodos já existentes, tornando-se um profissional reconhecido no meio. A sua habilidade em ver mais além do que se apresenta, fez com que formasse muitos cantores da noite paulistana. Durante vários anos lecionou no Conservatório e realizou inúmeros shows com seus alunos, incentivando e transformando talentos.

Paralelo a isso, foi desenvolvendo a sua carreira de cantor, participando em festivais de música, programas de auditorio, tendo algumas composições executadas em rádios. No inicio dos anos 90, decide mudar-se para a Inglaterra para aprimorar seu conhecimento vocal. Frequentou aulas com importantes nomes da música inglesa e gravou lá sua primeira composição em inglês, num estúdio em Londres.

Retornou ao Brasil em 92, trazendo na bagagem um alto conhecimento de técnicas vocais inovadoras experimentadas nos seus estudos e acrescentou a elas a sua forma particular de entender o cantar e o mecanismo da voz.

Aplicando suas novas técnicas, abriu um pouco mais o seu leque de atuações e ousou o inédito: lançou seu próprio método em VHS e, mais tarde, em DVD, distribuído em todo o país e alguns países da América Latina. Percorreu o Brasil ministrando palestras e workshops sobre técnicas vocais. Aos poucos, o professor foi ganhando mais espaço que o intérprete/compositor.

Movido pela paixão característica de todos os seu projetos, Lyba deixou fluir esse caminho, mas sentia no fundo, que o espaço vazio dentro de si era a ausência do palco. Em 2010, lança o seu DVD em show ao vivo com composições próprias. Mais um sucesso alcançado com a perspectiva de retorno a carreira.

O resultado do lançamento gerou algumas entrevistas e shows em São Paulo. Em 2013, num encontro de amigos cantando no Ton Ton Jazz de São Paulo, Lyba pega o microfone e simula um programa de cantores, sendo ele o condutor. Mais um projeto que nasce mostrando sua habilidade como comunicador. Essa brincadeira se transformou num programa ao vivo transmitido pela TV Câmara São Paulo, chamado O Fino da Voz, que ficou na grade de programação da emissora por vários meses. Daí surgiram outros convites, mas o trabalho com a técnica vocal tinha criado raízes muito fortes e não lhe permitiu dedicar-se inteiramente a carreira.

O seu SER artístico e sensível, de quem escreve e descreve o sentimento mais puro e verdadeiro em poucas palavras, o fez entender que não era chegado o momento. Teria que trilhar mais um pouco o caminho do dar-se através do conhecimento até o momento de sentir novamente o chamado aos palcos. O momento chegou e, desde abril de 2018, Lyba Serra vem se apresentando em algumas oportunidades, preparando a sua volta.

O show TransformAção traz um Lyba mais maduro tecnicamente e profissionalmente, seguro do seu espaço, usando e abusando do seu potencial artístico, equilibrando o comunicador, o cantor/compositor e o professor, mostrando nunca ter perdido no tempo a sensibilidade daquele menino de 11 anos.